“O Diretório Estadual do PT de Minas Gerais aprovou hoje uma aliança com o PSDB na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte (MG). A aliança foi aprovada com 29 votos a favor, 26 contrários e três abstenções.
A decisão do Diretório Estadual — que já tinha sido aprovada na instância municipal segue agora para avaliação da Comissão Executiva Nacional, que se reúne no dia 26 para decidir se aprova ou não a aliança com tucanos.
Pela reunião de hoje, ficou definido que PT e PSDB estarão coligados numa mesma chapa que será encabeçada por Márcio Lacerda (PSB), secretário de Estado do governador de Minas, Aécio Neves (PSB). A vice deve ficar com o PT.
A aliança entre petistas e tucanos foi costurada pelo prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), e pelo governador Aécio Neves.”
Alguém aí ainda duvida que o Carlos Minc vem para fazer a alegria de quem não ia com a cara da Marina Silva? De ativista ecológico ele não tem mais nada, e quem diz é o próprio Minc. Olha só a entrevista que o cara deu para o programa “Câmera Aberta”, da TV JB (nem me pergunte o que é, que eu não sei). O trecho mais interessante eu transcrevo abaixo, o vídeo pode ser visto depois. E ainda vem o velho amigo Gabeira dizer que a diferença entre o Minc e a Marina Silva é só nuance. Então tá.
Câmera Aberta: Você percebe alguma diferença entre aquele deputado que cobrava, que exigia, e o secretário?
Carlos Minc: Claro. É completamente diferente. Porque agora nós temos que realizar, fazer. Estou há sete meses sentado na cadeira da Secretaria e agora são os passivos ambientais, licenciamento. Vamos ter as maiores licenças do Brasil. Conperj, pólo petroquímico de Itaboraí, maior licença da América Latina. Vamos ter que licenciar isso tudo. Eu que nunca tinha licenciado uma padaria na minha vida…
O Paulinho da Força já tá se virando para explicar o esquema no BNDES. A primeira versão que apresentou ao corregedor da Câmara é a mais tradicional das anedotas no troca-troca gostoso do poder: “perseguição política”. Na conversa que teve com o Ricardo Tosto, testa-de-ferro da Força no banco estatal, Paulinho disse que ia descobrir quem está por trás da operação que detonou o seu esquema. E afirmou para o corregedor: já tá investigando quem são os sacanas. “Um punhado de nomes”, disse. Quero só ver os coelhos que vão sair dessa cartola.
Enquanto isso, o Tosto tá querendo levar a ação penal para o STF. Diz que é porque tem parlamentar na jogada (olha o Paulinho aí de novo, impressionante!). Só esqueceu que testa-de-ferro não tem foro privilegiado, pelo menos enquanto não editarem uma medida provisória dando esse privilégio. Se tem político do Congresso no esquema do BNDES, o STF cuida depois. O caso do Tosto tem que ser resolvido no foro de pobre, de em-dia-de-semana, mesmo. E a ministra Ellen Gracie concorda comigo.
Então vai ser mesmo o Carlos Minc o sucessor da Marina Silva. Ou seja, a pergunta permanece: quem assume o Ministério do Meio Ambiente? Sim, porque pouca gente sabe direito quem é esse Secretário do Meio Ambiente do Rio de Janeiro.
O currículo é o seguinte, de acordo com o Estadão: deputado estadual por cinco mandatos, Minc ajudou a fundar o partido que atira para todos os lados, o PV, com o Fernando Gabeira. Depois virou petista e passou de ecochato para liberal demais - segundo os próprios ecochatos. Também comandou uma baderna na frente do consulado americano do Rio, quando o Bush resolveu não assinar o Protocolo de Kyoto.
É isso. Se o cara não tá de sacanagem, e virou mesmo bicho-papão para os ambientalistas, Lula não deve mais ter problema com a pasta do Meio Ambiente.
Interessante quem apareceu na conversa do Paulinho da Força com o conselheiro do BNDES, Ricardo Tosto, grampeada pela Polícia Federal. Dá para entender como funciona a coisa no troca-troca gostoso do poder? O Paulinho vai pedir socorro para quem puder ajudar o testa-de-ferro a manter a cabeça grudada no resto do corpo. Só aí já apareceu o Lula, a OAB-SP e a presidência da Câmara. Sempre na amizade.
Hoje, na versão on-line do Estadão:
“Tosto: Negócio de doido, né? Desce o cacete aí. A Força, tudo. Eu vou fazer uma carta pedindo afastamento do BNDES para que apurem melhor tudo. E pedindo investigação no BNDES.
Paulinho: Você não devia pedir não. Não sai não, cara.
Tosto: Não. Não vou renunciar, vou pedir afastamento temporário. Para facilitar a investigação.
Paulinho: Mas aí você tem que mandar lá para a Força. Nós não vamos concordar que você saia não.
Tosto: Então aí tudo bem. E tem que fazer desagravo aí. Pô, organiza. Põe o D’Urso para fazer desagravo. Quanto mais desagravo da sociedade civil é melhor.
Paulinho: Eu acho que vou convocar, não sei se você viu o que saiu no Estadão de hoje. Eu vou falar com o Arlindo e vamos convocar o superintendente da PF lá na Câmara e também convocar o ministro da Justiça para eles se explicarem.
Tosto: Tá. E o Lula falou um absurdo de mim. Dá para você falar com ele?
Paulinho: Na prática a declaração dele foi favorável.
Tosto: Mas dá uma palavrinha dele de novo.Tenta aí.
“Apesar das trombadas constantes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo menos quatro ministros da Esplanada, o Planalto esperava que Marina Silva tivesse mais disciplina partidária na hora de deixar o governo. O presidente ficou irritado e, em conversas com assessores, classificou de “espetaculosa” e “espalhafatosa” a forma como a ministra do Meio Ambiente deixou o cargo. Para Lula, houve um componente eleitoral na forma como Marina saiu.
As desavenças do Meio Ambiente eram constantes com os ministros da Agricultura (Reinhold Stephanes), da Ciência e Tecnologia (Sérgio Rezende), da Casa Civil (Dilma Rousseff) e das Minas e Energia, pasta que já foi ocupada por Dilma, no primeiro mandato de Lula, Silas Rondeau, e agora está com Edison Lobão.
Lula se disse “surpreso” e “indignado” com a decisão de Marina Silva e reclamou, em especial, do fato de a notícia ter chegado à imprensa antes de ele ser oficialmente informado da demissão.”
E finalmente a Marina Silva pediu o chapéu. O motivo a ministra não esclareceu oficialmente, mas todo mundo já sabe. Segundo a Folha de S. Paulo, ela disse à sua equipe que não tinha apoio do presidente Lula. A verdade é que não tinha apoio de ninguém. A ministra Dilma Rousseff, desde julho do ano passado, queria ver a colega pelas costas. Ninguém se mete com a Casa Civil e o PAC, muito menos a Marina Silva, com aquela história de licença do Ibama.
No Ministério da Agricultura, sou capaz de apostar que a foto da agora ex-ministra já tinha virado alvo de dardos. O Brasil quer é plantar cana, pô! E essa lenga-lenga de que não pode plantar em área degradada da Amazônia, no Pantanal e na mata atlântica não colou. É o que deve estar dizendo por aí o ministro Reinhold Stephanes.
Agora eu quero ver quem vai segurar a bomba. O tal do Carlos Minc já mandou avisar que não vai. Disse que o governador Sergio Cabral pediu para ele não sair da Secretaria do Meio Ambiente do Rio de Janeiro. Minc seria uma boa opção para o governo federal. É um petista sem expressão, vindo do partido que atira para todos os lados, o PV. Seria fácil manobrá-lo. Só que ninguém quer assumir o pepino.
Deve sobrar mesmo para o Jorge Viana, que além de petista e ex-governador acreano, tem no currículo o fato de ser irmão do Tião e confidente do Lula. Enquanto isso, no Planalto, tudo certo e nada resolvido. É capaz de estenderem uma faixa: “Pra frente, Brasil! Que o Meio Ambiente não vai mais encher o saco.”
“Após divergências com outros ministérios, Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, entregou nesta terça-feira o pedido de demissão ao presidente Luís Inácio Lula da Silva. Os motivos do desligamento seriam os recentes conflitos com as pastas da Casa Civil e da Agricultura por causa de questões que opõem proteção ambiental e interesses econômicos.
Integrantes de sua equipe afirmam que a ministra descarta a possibilidade de recuar da decisão. Marina Silva estava no cargo desde a posse do primeiro mandato de Lula. Em julho de 2007, ela se desentendeu com a ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, por conta das negociações em torno do edital para as concessões do leilão das usinas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia.”